Quando assistimos a um espetáculo ele nos proporciona surpresas a cada segundo, de passo em passo, giros, de movimentos bruscos aos mais suaves, o que nos faz sentir o espetáculo é a trajetória que ele toma, o percurso percorrido pelos artistas em um determinado espaço de tempo em um local específico. Para reproduzir uma representação gráfica deste espetáculo sem perder toda sua essência não basta reproduzir uma cena, um frame dos dançarinos se expressando, é necessário analisar todo percurso (o conjunto de frames) efetuado pelos seus corpos e então chegar a uma síntese onde a própria imagem, por mais estática que seja, se mova sem sair do lugar por todo espetáculo trazendo a quem contempla uma sensação abstrata de tempo, próximo de uma virtualidade.
Já para o artista que produz o espetáculo, onde cada movimento está sendo mentalmente visualizado e executado conforme idealizado, treinado, não há surpresas, sempre há a imprevisibilidade, mas seu objetivo é passar emoção com cada movimento sentido em seu corpo. Produzir uma imagem que represente o trabalho deste artista, ou a sensação de seu corpo em movimento é dançar com tinta e pincel, caneta, lápis e papel. Traçar um percurso virtual, sem sair do lugar em um espaço em branco, o conceito de espaço e tempo adquire forma e atribui características para a imagem, o artista que expõe esta imagem a um espectador se aproxima do dançarino no palco, de seu corpo dançante se expressando, a sensação tomada de pessoa para pessoa é interpretada de acordo com sua vida, repertório ou momento.
- tomando o conceito de virtualidade por uma fuga da realidade, ou um espaço de tempo alternativo criado a partir de um estimulo, um parêntese na linha continua do universo.




