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divagações de uma mão descontrolada com sede de entrelaçar(cerar) dedos
soltos que correm pela parede de um lado a outro batendo forte ao chegar no teto
guiados por um relógio que compassa o tempo hora lento hora rápido
sempre quando calmo, na espera de um revigor estilhaçante de emoção explosiva
delirando fluidamente pela massa de ar que o cerca como em uma piscina de água sedosa

é sempre um cair fora da mente, 10cm além do corpo algo de dentro expele e converge, aglomera, se funde com todo o resto
se fechar os olhos e se soltar sentirá as pequenas e frágeis amarras que o ligam ao todo
amarras que se fazem e desfazem mediante a decisões e pensamentos, escolhas, pode tanto soltar um e amarrar outro
como amarrar dois ou cortar dois, solta-los delicadamente, se deixar emaranhar, embramar, atar-se, soltar-se
nadar em poços de melado ou flutuar em límpido vácuo

a beleza da física das possibilidades, onde tudo se pode ou se faz
onde todo gesto é nota, qualquer um é música e todos nós trançamos, bailando e dançando

Estive ontem no Centro Cultural de São Paulo, onde as terças-feiras ocorre Jam de dança ao meio dia.

Fiquei como espectador a contemplar todos aqueles corpos em movimento e me veio alguns pensamentos aleatórios condizentes ao meu TCC que anotei:

 

- Um dos intermediadores disse o seguinte: “Se perceber em movimento, se perceber em imagem”

- Ao alongarem soltam os corpos, se estendem em músculos

- Uma intermediadora disse: “Como é o corpo chegar neste espaço, com estas pessoas?”

- Corpos se contorcem, se enlaçam, se amarram e desamarram

- Gestos languidos onde um corpo protege o outro

- Um corpo estimula o outro pelo contato, olhar ou aproximação

- Jam: o inesperado se torna espetáculo

- Se tornam 1

- Investigação do corpo

- De repente um êxtase e todos os corpos criaram um imprevisível espetáculo

Retomando

Depois de um tempo tendo que cuidar de outros assuntos, com a mente nunca distante deste projeto, volto neste semestre para criar mais um capítulo para mostrar um resultado mas não necessariamente um fim!

No momento estou refletindo sobre o metodo de apresentação, para isso pensando o que sei sobre o movimento, poucos instantes atras ao acordar me veio algumas considerações a cabeça e quero deixa-las registradas aqui:

 

- O movimento não é algo independente, é resultante/atuante de/em seu entorno.

- Criar para que um seja ligado ao outro.

- O movimento é resultante do tempo que passou e criador do que virá.

- O movimento é curvo.

É 10!!

A banca passou, passei com 10 com um sorriso daqui-ali!

O trabalho segue, cheio de novas ideias e importantes colaborações!

to sem tempo no momento mas volto para postar o que foi agregado ao meu trabalho!

Faz um tempo que não escrevo aqui…

Hoje é o dia da primeira banca para avaliar meu progresso até aqui, cruzem os dedos para dar um empurrãozinho!

Hoje é dia de arrumar a casa, terei muitos textos publicados aqui neste dia.

 

Sobre a escolha da dança:

 

Escolhi a dança, pois a junção do movimento e a música me instigaram inicialmente, o corpo em junção com o ritmo musical e suas relações de espaço e tempo entrando em harmonia, os movimentos bruscos onde corpos se contorcem a extremos em paralelo com os minuciosos e precisos gestos delicados, assim como a coreografia foi de importante escolha neste ponto, a capacidade de desenhar o movimento a ser executado, a idealização, o treino e a execução, tornaram a escolha da dança propicia para um estudo sobre movimento.

 

Dançar é um trabalho de design incessante, estabelecendo padrões, formas e cores a cada espaço milimétrico alcançado, a cada milésimo de segundo percorrido, é design em movimento. Por outra ótica são os padrões de forma e possibilidades em um espaço se harmonizando em cada segundo.

 

A liberdade é o fator de prazer e a memória de cada gesto observado cria o movimento.

 

As idéias lidas a cima, pelo menos muitas delas sairam equanto a assistia o video Amelia de Edouard Locke, mais um nome a ser lembrado.

Colocarei aqui seu video, é a parte 1 de 9.

 

Sobre os elementos que compõe o movimento em dança.

Temos todos estes fatores como agentes diretos no movimento, influenciadores nas tomadas de decisão pelo corpo que se move a partir de um estimulo atrás de um objetivo, por este ângulo é necessário compreender a relação de como todos os fatores se juntam para tornarem-se movimento. Neste ponto o ritmo e a harmonia trabalham, não independentes, mesmo porque o tempo se relaciona com o ritmo, ou a música com a harmonia, mas são controladores que atuam para que o objetivo seja concluído. No caso específico da dança, se observarmos tipos de dança coreografadas juntamente com a criação do espaço e música, com um comando correto do tempo temos a possibilidade de estabelecer qualquer elemento, ajustando cada fator para que o objetivo seja totalmente cumprido, que por conseqüência cria uma diferença significativa do observador para os dançarinos. Para quem contempla é algo imprevisível, novo, talvez para alguns um jogo de probabilidades ou para outros um espetáculo sensitivo, mas para o dançarino são movimentos aprendidos, algo que foi duramente treinado e passado cena a cena repetitivamente para as mentes e corpos que ali estão executando o ato sentindo e se expressando segundo a segundo por mais abstrata que sua noção de tempo possa ser. E é neste estado abstrato onde a multissensorialidade atua estabelecendo o dançarino como o elo entre todos os elementos, sendo o catalisador que traz para platéia uma experiência única.

Rudolf Laban

Degas

Egas Francisco

Paul Virilio

Yara Borges Caznok

Merce Cunnighan

Tempo abstrato e curvo, se o tempo faz curva cada minuto dura o tempo que for considerado por sua ou minha pessoa, depende um tanto do tamanho de suas curvas.

Existem 2 pontos distantes um do outro, pode chegar rapidamente indo apenas em direção a ele como também perder o foco e produzir mil coisas antes de finalizar, aproveitar esse espaço de tempo o maximo possivel, criando diversas curvas, espirais, idas e voltas antes de atingir o ponto final.

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